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As notáveis navegadoras dos oceanos
Foto José Sabino  
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 As notáveis navegadoras dos oceanos

 

            Tartarugas marinhas são eficientes navegadoras.  Na época da reprodução, abandonam as áreas de alimentação e se lançam em longas viagens pelo mar aberto.  Fazem migrações admiráveis, que atingem dois ou três mil quilômetros.  Com a precisão de um GPS, retornam para procriar na mesma região onde nasceram cerca de 30 anos atrás.  Nestas longas jornadas, podem sair da costa brasileira e alcançar ilhas oceânicas como Fernando de Noronha, Trindade ou Ascensão, no meio do Oceano Atlântico.  Ainda no Atlântico sul, também desovam no Atol das Rocas ou mesmo em praias do nordeste brasileiro.  Entre as sete espécies existentes no mundo, cinco ocorrem no litoral do Brasil.

            Periodicamente, as tartarugas marinhas têm que subir à tona para respirar.  Ao nadar na superfície, olham para o Sol que serve como guia em sua navegação.  As correntes e o relevo marinho também parecem dar pistas a esses extraordinários animais.  Quando nadam em águas profundas, as tartarugas marinhas usam uma espécie de bússola interna e, provavelmente, orientam-se pelo campo magnético da Terra.  Partículas de óxido de ferro, presentes na cabeça destes quelônios, parecem funcionar como as agulhas de bússolas.

            Perto da área em que nasceram, dentro da água, machos e fêmeas se acasalam.  Em geral, apenas as fêmeas sobem na praia, onde desovam.  Em cada subida, depositam aproximadamente 100 ovos, em profundos ninhos cavados na areia da praia.  O calor da areia incuba os ovos e, semanas depois, nascem os filhotes.  Com um grande esforço, as jovens tartaruguinhas cavam seu árduo caminho rumo à superfície.  À noite, saem todas juntas em direção ao mar.  O nascimento simultâneo é muito importante na reprodução desses animais, porque os filhotes sofrem uma grande mortalidade ao atravessar os poucos metros entre a areia da praia e a arrebentação.  Muitos são predados por caranguejos, aves marinhas, peixes e até mesmo tubarões.  A aparição de centenas de filhotes ao mesmo tempo sacia a fome dos predadores e permite a sobrevivência de umas poucas tartaruguinhas.           

            A natação na praia onde nascem é um momento decisivo na vida das jovens tartarugas.  Neste curto intervalo, “imprimem” em seu cérebro informações da praia e das águas adjacentes.  Cerca de 30 anos depois, quando irão procriar pela primeira vez, as tartarugas adultas usam o “mapa” impresso na infância para encontrar com sucesso o caminho de volta à mesma região de seu nascimento. Uma maravilha da Natureza!

           

         As tartarugas estão entre os répteis mais antigos da Terra, tendo convivido com os dinossauros.  Fósseis mais antigos do grupo datam de 230 milhões de anos.  Em sua longa evolução, desenvolveram notáveis habilidades para perceber os sinais da natureza.  Seja usando o Sol, o relevo ou as correntes do mar, concluem imensas viagens com grande precisão.  Temos muito a aprender com elas.  A tenacidade e perseverança das tartarugas marinhas pode nos ensinar a olhar para o Mundo Natural e perceber mais claramente a melhor rota desta grande “viagem” que é olha e ver a Natureza.

 

José Sabino é fotógrafo de natureza, biólogo e pesquisador da Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal – UNIDERP / Anhanguera.                                                                                                           

 

e-mail: jose.sabino@pq.cnpq.br

 

 

 

 

 


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