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Onça-pintada
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O maior felino do Brasil adora água e é uma excelente nadadora!*
Foto José Sabino  
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A difícil e prazerosa captura de uma onça-pintada

 

            Um dos maiores desafios dos fotógrafos de natureza do Brasil é flagrar uma onça-pintada em seu hábitat. Não é tarefa fácil. O maior de nossos felinos é muito mais “equipado” para perceber a presença humana do que o contrário. Nossos órgãos dos sentidos são imensamente mais limitados para encontrá-la. Dotada de olfato, audição e visão apuradíssimos, ela á capaz de detectar nossa presença e fugir. Além de auxiliar na fuga, os sentidos ajudam esse magnífico carnívoro a capturar suas presas. O maior felino das Américas, que pode atingir cerca de 120 quilos e medir, da cabeça ao final da cauda, quase dois metros e meio, tem uma dieta variada. A onça-pintada é predador topo de cadeia alimentar e sua dieta é descrita como oportunista, ou seja, consome as presas de acordo com a disponibilidade, abundância e vulnerabilidade das mesmas no ecossistema.  A lista de seu cardápio inclui mais de 80 itens, entre mamíferos (como capivaras, pacas, veados e catetos), aves, répteis e até mesmo peixes. Como a abundância de predadores depende diretamente da abundância de suas presas, compreender como a onça-pintada utiliza os recursos alimentares disponíveis no ambiente é essencial para a conservação da espécie.

No Brasil, o Pantanal abriga uma das maiores populações de onça-pintada, e é considerada uma área prioritária para a conservação da espécie.

            Em geral, o que determina a fuga do jaguar – nome indígena da pintada – é seu comportamento acanhado e arredio.  Caçada implacavelmente ao longo dos últimos séculos, perseguida como predadora de gado e tendo seus hábitats destruídos, este felino evita o contato com os humanos. Mesmo sendo difícil de ser vista, alguns sortudos fotógrafos brasileiros já conseguiram boas imagens da bela fera, principalmente no Pantanal Mato-Grossense. Não é o meu caso. As fotografias que tenho de onças-pintadas foram feitas em zoológico.

            Mesmo não representando o desafio e a conquista de “capturar” uma onça na natureza, as imagens tomadas em zoológico podem ter um certo charme e até mesmo qualidade editorial. Basta tomar alguns cuidados e usar o equipamento adequado. Para registrar o jaguar da foto deste post, usei uma lente 300 mm, acoplada a um tele-conversor de X2 (duas vezes). Como este conjunto resulta em uma “lente” com distância focal alta, de 600 mm, há o risco de tremer durante o disparo. Para diminuir a perda da qualidade da imagem, usar um tripé ou monopé e trabalhar com velocidade alta torna-se indispensável.

Também se deve tomar muito cuidado com o enquadramento. Grades, telas e paredes devem ser evitadas na hora de fotografar.  Para “eliminar” a grade do primeiro plano, é importante aproximar-se ao máximo do recinto do animal. Este procedimento deve ser feito com autorização da equipe técnica do zoológico em que se produz a fotografia.  Ao aproximar-se das grades, o fotógrafo também deve zelar por sua própria segurança, visto que, em cativeiro, as onças podem ser mais agressivas que na natureza.

            Certas regiões do Pantanal, como na fazenda San Francisco, em Miranda, Mato Grosso do Sul, parecem favorecer para a tarefa de documentar esses magníficos felinos na natureza. Vários fotógrafos têm conseguido registrar onças em seu hábitat nessa localidade. Ameaçada de extinção e com o comportamento arredio, não é tarefa simples fotografar uma onça-pintada em estado natural. Entretanto, com um bocado de sorte e muita obstinação, quem sabe um dia algum de nós não conseguimos este admirável troféu?

           

José Sabino é fotógrafo de natureza, biólogo e pesquisador da Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal – UNIDERP / Anhanguera.                                                                                                           

 

e-mail: jose.sabino@pq.cnpq.br

 

 

Legenda da foto

 

Onça-pintada, Panthera onca, nadando serenamente em um pequeno lago do Zoológico de Cuiabá, Mato Grosso.  Nikon F-100, lente Nikkor 300mm AF, com tele-conversor X2, abertura f 4, velocidade 1/500, Fujichrome ProviaF ISO 100.  Todo o conjunto apoiado em um monopé.


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