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Brasil abriga a mais rica fauna mundial
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Conheça em números nossa megadiversidade
Foto José Sabino  
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Em conjunto, biomas brasileiros abrigam a mais rica fauna mundial.  Somos os primeiros do planeta em mamíferos. E também em peixes de água doce.

 

Texto e fotos de José Sabino

 

O Brasil ocupa posição de destaque entre as 17 nações detentoras de megadiversidade biológica. Avaliações mostram que o país possui uma admirável riqueza, reunindo entre 13% e 15% do total de espécies da Terra. Possui dois biomas - a Mata Atlântica e o Cerrado - considerados entre os mais importantes para a manutenção da diversidade no mundo. São os chamados hotspots, por conterem um grande número de espécies endêmicas e por estarem altamente vulneráveis à ação humana, destruídos em mais de 70% de sua vegetação original.

O país também figura com três Grandes Regiões Selvagens - a Amazônia, o Pantanal e a Caatinga -, sendo que grande parte da maior floresta tropical remanescente no planeta, a Amazônia, encontra-se em nosso território. O conceito de Grandes Regiões Selvagens contempla áreas relativamente conservadas, com alta biodiversidade e baixa densidade populacional e, por abrigarem extensas amostras de ambientes intactos, têm importante papel na continuidade da vida na Terra.

 

    

(Árvore com epífitas na Mata Atlântica e arara no Pantanal)


Em conjunto, os biomas brasileiros abrigam a mais rica flora mundial, com 20% a 22% do número total de espécies de plantas fanerógamas (55 a 60 mil espécies). Nossa extensa rede de rios, riachos e os vários sistemas da costa atlântica abrigam pelo menos 18% das espécies de peixes ósseos conhecidas no mundo; estima-se que nos ecossistemas brasileiros existam 12% da riqueza de anfíbios do planeta; nosso território abriga ainda nada menos que 17% das espécies de aves e 11% das de mamíferos da Terra. Na avaliação do mundo natural, o Brasil situa-se em primeiro lugar quanto ao número de espécies de mamíferos (541 espécies) e peixes de água doce (pelo menos 3.000), segundo em anfíbios (687) terceiro em aves (1.696), quinto em répteis (633). Os números são provisórios, pois se conhece apenas uma parcela da imensa variedade de organismos do país; a cada ano, novas espécies são descritas pela Ciência, mas seguramente o acréscimo só irá confirmar essa posição de liderança mundial. Grupos comparativamente pouco conhecidos, como invertebrados, fungos e microrganismos, são sabidamente abundantes e muito promissores para bioprospecção.


Em praticamente todas as abordagens técnicas sobre biodiversidade, o Brasil aparece no topo das listas de riqueza, fato que atrai atenção mundial. Assim, não é por pouco que o planeta observa cada passo do país, em sua longa marcha para conhecer, gerenciar, usufruir e - principalmente - proteger este pujante tesouro biológico. Ao mesmo tempo em que nos confere uma condição privilegiada, ser guardião desta riqueza natural impõe-nos a responsabilidade ética de compreender sua magnitude e zelar por sua integridade. O conhecimento desta diversidade é ferramenta indispensável para exploração, utilização responsável e conservação deste riquíssimo patrimônio.

 

      

(Da esquerda para a direita: acará-disco, sapo, lobo-guará e jacaré)

 


Toda esta biodiversidade distribui-se nos 8,5 milhões de km2 - o quinto maior país do planeta - em biomas como a Floresta Amazônica, Mata Atlântica, Campos Sulinos, Florestas de Araucária, Cerrado, Pantanal, Caatinga e Zona Costeira. Parte da explicação para esta profusão de seres vivos decorre da própria extensão geográfica brasileira. A área continental do país engloba várias regiões climáticas, desde a zona equatorial, quente e chuvosa ao Norte, até a subtropical ao Sul, tipicamente fria e úmida, passando pelo interior do Nordeste, uma província semi-árida e quente. Vastas extensões territoriais com diferentes climas, combinadas a complexos processos evolutivos de longa escala temporal, criaram condições favoráveis para o estabelecimento de admirável riqueza biológica, manifestada nos diferentes organismos habitantes dos ecossistemas naturais brasileiros.

A Mata Atlântica, uma das áreas florestais mais ricas do país, hoje está reduzida a menos de 8% de sua área original de, aproximadamente, 1 milhão de km².

 

 

(Mata Atlântica e bromélia)

 

Cerca de 15% da Floresta Amazônica foram removidos, principalmente devido à implantação de rodovias, à colonização sem planejamento, ao avanço da fronteira agrícola e à exploração desordenada de madeira. O bioma do Cerrado, onde ocorreu o mais forte avanço da fronteira agrícola nas últimas décadas, já perdeu perto de 70% da vegetação nativa e abriga alguma forma de utilização econômica em quase toda a área restante. A Caatinga, que também teve 50% de sua área alterada, sofre com erosão do solo, salinização e desertificação.


Estima-se que nas áreas marinhas sob jurisdição nacional pode ser encontrada uma diversidade equivalente àquela existente na parte terrestre do país. Aproximadamente 1.300 espécies de peixes ocorrem na costa brasileira e cinco das sete espécies de tartarugas marinhas existentes no planeta se abrigam e reproduzem ali. Além da biodiversidade da zona costeira e marinha brasileira e às numerosas espécies endêmicas dessas regiões é importante ressaltar que dentro das águas territoriais do Brasil também se encontram rotas migratórias e sítios de condicionamento e de desova para espécies de distribuição global.

 

 

(Frade-real e tartaruga-verde)


Apesar de o Brasil deter essa riquíssima natureza, é evidente que existe apenas o esboço da real dimensão de nossa biodiversidade e, tal e qual no mundo, ainda há muitas espécies por serem descritas. A magnitude deste patrimônio natural é incompletamente avaliada, em parte pela própria grandiosidade territorial do país, mas deriva também da enorme complexidade biológica e limitações da capacidade instalada nas diferentes regiões do Brasil.


A despeito das deficiências relatadas nos diagnósticos relativos à biodiversidade e aos ecossistemas como um todo, a comunidade científica e instituições governamentais, em estreita cooperação com agências internacionais e suporte de ONG´s, têm reunido esforços aproveitando os pontos fortes de sua capacitação para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade brasileira. Como resultado deste interesse e esforço comum, fortaleceram-se diferentes ações que vão desde o apoio para a pesquisa básica, até a implementação de projetos aplicados à conservação, manejo e aproveitamento de recursos da diversidade biológica.

 

(Cerrado)

 


Exemplos destes resultados são os grandes workshops nos quais foram feitas avaliações e se estabeleceram áreas prioritárias para conservação da biodiversidade nos principais biomas brasileiros. Com a coordenação do Ministério do Meio Ambiente e a participação de entidades da sociedade civil, como universidades, institutos de pesquisa, Fundação SOS Mata Atlântica, Instituto Socioambiental, Conservação Internacional – Brasil, Fundação Biodiversitas e WWF, entre outros.


Somente com a integração desse conhecimento seremos capazes de gerar políticas públicas e privadas, estimular a cooperação interinstitucional e internacional para a melhoria e consolidação das ações de gestão da biodiversidade, conhecer, conservar e valorizar a diversidade biológica brasileira, proteger áreas naturais relevantes, promover o uso sustentável da biodiversidade e respeitar, preservar e incentivar o uso do conhecimento, das inovações e das práticas das comunidades locais e das populações indígenas. Essa integração das diversas instâncias da sociedade permitirá que alcancemos o tão almejado uso sustentável da biodiversidade.


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