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O poder reparador da natureza
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Contemplação tem ação analgésica e antidepressiva.
Foto José Sabino  
Nota geral (4)
 
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Contemplar suntuosas paisagens naturais faz bem aos nossos olhos. E também ao espírito e à saúde!
 
Texto e fotos de José Sabino
 
 

(Ipês e outras árvores floridas na Mata Atlântica)


 
Nossos olhos de primatas evoluíram nas savanas africanas, acostumados a observar as sutis matizes entre tons de verde, amarelo e vermelho, reconhecendo, assim, características do ambiente. Ao distinguir cores e sinais de nossos hábitats, éramos recompensados pelo encontro de um fruto maduro ou pelo alerta de um animal perigoso, essenciais à sobrevivência nos tempos remotos em que vivíamos como caçadores-coletores. Ao longo da evolução, nosso cérebro aprendeu a retribuir o esforço de nossos sentidos com intensas sensações de prazer, liberando endorfinas e serotoninas, hormônios que causam bem-estar.


            (Fruto da virola)
 
 
De fato, visitar áreas com a natureza conservada em estado bruto tem enorme poder reconfortante e reparador aos humanos. Um dado vigoroso sobre essa predileção pela natureza intacta é que, após os atentados de 11 de setembro, os parques nacionais dos EUA tiveram sua visitação dobrada nas semanas imediatas aos ataques terroristas. Aquele era um nítido momento em que os norte-americanos buscavam conforto espiritual e nada melhor para isso que manter contato com suas reservas naturais.


(Lagoas no Pantanal)

 

Outros dados mostram como temos um vínculo primário com o mundo natural: mesmo com poucos recursos, nos aproximamos da natureza admirando um arranjo de flores, praticando jardinagem, cultivando uma pequena horta de especiarias, tendo animais de estimação, ou mesmo caminhando pelas praças de nossa cidade.

Pesquisas da Universidade Texas A&M monitoraram pacientes submetidos a cirurgia de vesícula e constataram que aqueles colocados em quartos com vista para áreas verdes precisaram muito menos de analgésicos do que aqueles pacientes cujos quartos davam para paredes de tijolos. Fica evidente: preferimos as paisagens naturais multicoloridas aos cenários acinzentados de prédios e avenidas das grandes metrópoles.


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